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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

06
Mar18

A saúde não é para todos.

Eu

Devia ser, mas não é. 

A saúde devia estar no topo da lista. No topo da lista das pessoas até pode estar,  mas devia estar também, e principalmente, no topo da lista de quem anda a dizer que governa o país. Porque a saúde é um direito. Porque ter um serviço de saúde que funcione é um direito para uns e consequentemente, uma obrigação para os outros. Porque garantir que o povo tem acesso aos cuidados de saúde tem de ser visto como uma obrigação e não como mais um ponto da lista. 

Mas não é assim que está a fazer. Não é assim que a saúde está a ser vista. Os números de um estudo que decorre desde 2004 que agora foram divulgados (embora não seja preciso um estudo para chegar a esta conclusão) mostram que os portugueses faltaram, só no ano passado, a mais de meio milhão de consultas. 

Os números à primeira vista podem parecer contraditórios. Então queixam-se do Serviço de Saúde e faltam às consultas? 

Mas é preciso parar e perceber o motivo. As pessoas faltam às consultas por questões de dinheiro. Porque o preço dos transportes até ao hospital é caro ou porque não podem pagar o preço das taxas moderadoras. 

Há uns anos fizeram-se centros de saúde, para garantir que as pessoas tinham acesso a cuidados de saúde fcilmente e perto de casa. Agora fecharam-se os centros de saúde, porque bom mesmo, é ter tudo condensado num mega hospital. E muita gente não tem como lá chegar. E muitas pessoas moram demasiado longe para poder fazer o percurso e pé. E em muitas aldeias os transportes públicos passam pouco ou não passam. E as pessoas mais velhas que conseguiam ir ao "posto médico" sozinhas, agora não se orientam na cidade de no grande hospital. E as pessoas deixam de poder ir às consultas. E os números falam por si. 

Ninguém pensou que os duzentos de poucos euros de reforma que alguns recebem, pouco mais chegam que para comer, quanto mais para pagar transportes para chegar ao hospital. Ninguém se lembrou que um ordenado mínimo que tem de sustentar uma família não chega para pagar taxas moderadoras?

Ninguém falta a consultas porque sim. Porque lhe deu a preguiça de ir. Porque preferiu ficar em casa.  As pessoas faltam a consultas porque não têm forma de ir ou porque não as podem pagar. 

E é este direito básico que está a ser negado e que, no ano passado, foi negado mais de meio milhão de vezes. O direito aos cuidados de saúde. 

E é nisto que é preciso pensar. A saúde tem de ser para todos e estar ao alcance de todos. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

......voltamos aos centros de saúde, a ter médicos de família (que se aumentem as vagas dos cursos de medicina) e até, talvez, médico ao domicilio, nas aldeias mais recônditas. Porque a saúde tem de vir em primeiro lugar. 

(Enquanto houver dinheiro para reformas milionárias e para salvar bancos, tem de haver dinheiro para isto)

 

 

05
Mar18

Obrigada. O agradecimento em lingua gestual.

Eu

Olhando para a noite dos Óscares havia mil e uma coisas sobre as quais podia escrever.  Podia destacar o melhor filme, o melhor realizador, os melhores atores e atrizes, os melhores ou os piores vestidos, os desfiles na passadeira vermelha...

Podia, mas aquilo que me ficou na memória não foi nenhuma destas coisas. O que realmente me fez parar e pensar, para além de alguns discursos, foi o agradecimento feito pela Rachel Shenton, em inglês e em língua gestual. Porque não estava à espera e porque, talvez, esta atitude tão simples, chame a atenção para o silêncio que alguns ouvem. 

Por cá, a língua gestual portuguesa é língua oficial desde 1997, mas não se ouve falar dela. Passa despercebida. Não se lhe atribui a devida importância. E nós, na barulheira dos dias, esquecemo-nos dos que não ouvem. Daí que este avivar de memória tenha sido bonito e importante. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

....Ouvíamos os que não ouvem e víamos os que não conseguem ver. Porque, no meio da igualdade, há quem seja diferente. 

 

03
Mar18

Desperdício zero: que se comece pelo início.

Eu

Estamos a esgotar recursos a uma velocidade incrível. E por mais que achemos que não, esta fatura ainda vai chegar para que paguemos a conta. E vai ser cara. E vai custar a pagar. 

 

Tento, no meu pequeno mundo caseiro, desperdiçar o mínimo possível e contribuir o mínimo possível para este consumo exagerado de matérias primas. Faço, aquilo que acho que a maioria das pessoas faz. Ou se não faz, devia fazer, porque não custa assim tanto. É a reciclagem, é o aproveitamento de embalagens para outros fins, é a redução do uso de sacos de papel e de plástico, é o aproveitamento das águas de lavagem de legumes para a rega dos vasos....

Faço isto e mais algumas pequenas coisas, mas parece-me que seria interessante se as pessoas responsáveis pelas embalagens, nas unidades industriais, fizessem também alguma coisa. 

Irrito-me um bocadinho quando vejo que para comprar 4 iogurtes, tenho de trazer o papel que os envolve e se forem dos líquidos ainda tenho de trazer a tampa de plástico por cima do papel de alumínio que cobre a garrafa. Chateia-me que os chocolates e os rebuçados não se vendam avulso como se fazia antigamente, e agora venham enfiados numa embalagem de plástico e os que os cereais para o leite precisem de trazer uma embalagem de plástico dentro de uma caixa de cartão. Aborrece-me que um chouriço tenha uma embalagem maior que ele, que as maçãs venham enfiadas em "caminhas" de plástico, que as uvas sejam vendidas dentro de sacos, que a papaia chegue acolchoada e que as bananas da Madeira venham embaladas em pacotes de 4 ou 5 bananas. 

Uma lista que não termina e que por mais que eu me esforce, e que a meu vizinho do lado se esforce, só contribui, em muito, para que o desperdício seja muito mais do que era suposto. 

Para reduzir o desperdício à séria, é necessário começar pelo início. 

 

Se Eu Mandasse Nisto....

..... em casa reciclava-se, reaproveitava-se e reutilizava-se. E nas empresas reduziam-se as embalagens porque não há necessidade de haver tanto plástico e tanto papel à volta de tudo. 

02
Mar18

Uma chuva "molha tolos" não chega.

Eu

Chove. Devagarinho, sem pressa e quase sem água. 

Uma chuvinha, que como se diz na minha aldeia, "molha tolos".  

E apesar de me começar a aborrecer, porque prefiro mil vezes os dias de sol e de luz, convém lembrar que esta chuvinha palerma ainda não chega para nada. Basta fazer um pequeno buraco no chão do quintal ou do jardim, ou até no vaso das flores, para percebermos que a água que cai molhou pouco mais que nada. A dois ou três centímetros da superfície, a terra continua seca. E lá no fundo, onde as raízes das árvores e das plantas deviam ir beber água aí, ainda está tudo seco. 

Há uns dias os agricultores do Alentejo queixavam-se da seca e da falta de alimento para os animais de pastagem. Mais acima, os produtores da maçã de Alcobaça e da pera  rocha, queixavam-se que a falta de água vai comprometer as colheitas do próximo ano. No norte dizem que não vale a pena deitar grãos à terra, porque não há humidade suficiente para os fazer germinar. 

As barragens continuam nos mínimos. Os caudais dos rios estão baixos. As pessoas continuam a gastar água como se ela fosse uma fonte inesgotável. (Suponho que os campos de golfe continuem a ser regados diáriamente). E esta chuva que chove certinha e sem parar, não chega para garantir os mínimos necessários. 

E enquanto chove e não chove talvez seja hora de mudarmos conceitos e mentalidades. Talvez seja hora de olharmos para a torneira e de pormos a mão na consciência de cada vez que a abrimos ou que a deixamos aberta desnecessariamente. Talvez seja hora de começarmos a perceber que a água não é uma fonte inesgotável e que a falta dela compromete seriamente a nossa qualidade de vida. 

E talvez seja hora de começarmos a poupar água. Porque esta chuvinha "molha tolos" não chega para nada. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

.....controlava-se o que se gasta de água. Limitava-se o desperdício. Fazia-se uma gestão racional dos recursos. ( E deixava-se de gastar água a regar, diariamente, campos de golfe)

 

 

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