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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

20
Dez17

A história do Manel e do pai que não o quer.

Eu

Chegou-me aos ouvidos, hoje, esta história. E porque a tristeza é tanta e o sentimento de impotência é tão grande, resolvi que a ia partilhar. 

O Manel é um menino com 14 anos. Veio de África há dois ou três, à procura de uma solução para o problema de visão de que o afeta. Com ele veio o pai, supostamente, para tratar dele e para o acompanhar na luta contra o tempo e contra a doença. 

Agora começa a história.

O Manel, que tem 14 anos, já está cego de um olho e vai cegar do outro. Não há, pelo menos aqui, solução para ele. O pai, que ele adora, assim que se apanhou em Portugal tratou de o institucionalizar com a justificação de que não tem condições para o ter. O Manel passou a viver numa instituição, longe das suas raízes, dos seus irmãos, da sua mãe e também longe do pai que veio para o acompanhar. O Natal do Manel vai ser passado na instituição que o acolhe, porque o pai, que ganhou o passaporte porque vinha tratar o filho e acompanhar o filho, nem nos dias em que trabalhou à porta da instituição perdeu 5 minutos do seu tempo, para entrar e para lhe fazer uma visita. 

E o Manel continua a adorar o pai. 

E o Manel vai à escola todos os dias, mas recusa aprender braile, porque lá no fundo ainda tem esperança que o olho que já pouco vê, se mantenha assim para sempre. 

E os professores e as professoras do Ensino Especial continuam a ter paciência com o Manel, a fazer fichas com letras gigantes, a ler as perguntas, a escrever os seus cadernos. 

E o pai continua cá, porque veio acompanhar o filho, mas não quer saber se ele está bem se mal, se triste ou contente. 

E o pai todos os dias se levanta para fazer a sua vida, sem se preocupar se o Manel tem de sair da instituição ainda sem o sol ter nascido, porque a volta é grande até à escola. 

E o pai, programou o seu Natal, sem se lembrar que o que o Manel mais queria era passar o Natal com ele. 

E nós continuamos a permitir que esta gente fique, mesmo depois de ter declarado em tribunal que não queria o filho. E nós, a nossa justiça, os nossos governantes, temos culpa deste e de outros Manéis e Marias, passarem o Natal numa instituição, quando cá fora alimentamos os pais que vieram, que quiseram, que se aproveitaram dos filhos para entrar. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

...Talvez o Manel passasse o Natal na instituição, mas pelo menos não ficaria triste do pai não o ir buscar, porque o pai já teria sido mandado, de vez, de volta para a terra dele.

 

 

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