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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

06
Dez17

A leitura dos meninos do 4º ano

Eu

Os nossos alunos do 4º ano foram os que mais pioraram no desempenho da leitura nos últimos cinco anos. O mesmo estudo que chegou a esta conclusão diz ainda que 14% dos nossos alunos sente fome, o que em contexto escolar é deveras preocupante, e que 22% se sente cansado quase todos os dias.

 Politiquices à parte, vamos lá ver conseguimos entender algumas coisas.

A leitura é trabalhada na escola. Os nossos meninos são que os mais gostam de ler (72%) e uns dos que dedicam, na escola, mais tempo à leitura (301 horas por ano). Então, se os meninos gostam de ler, se a escola lhes dá horas de leitura, o que é que se passa? 

Diz-me o meu sexto sentido, que em casa não está a ser feito o devido trabalho. Os livros, há muito que foram trocados pelos tablets, pelas consolas, pelos brinquedos. Não há hábitos de leitura. De ir a bibliotecas. De virar páginas de livros. A verdade é que o preço dos livros também não ajuda, mas ainda assim não pode ser justificação porque os brinquedos são muito mais caros. 

A tarefa da leitura foi deixada quase exclusivamente para as escolas. E não chega. 

Mas não é só isto. Crianças do 4º ano terão idades a rondar os 9 anos. Aos 9 anos, se estão cansados e se chegam cansados à escola, a culpa é dos pais. É a eles que compete fazer cumprir as horas de descanso. É a eles que compete fazer cumprir as horas de deitar. Uma criança com 8 ou 9 anos não pode ficar acordada até às 22h ou 23h (e em alguns casos até bem mais tarde) só porque dá mais jeito aos pais, ou porque o programa dos pais assim o exige. Diz o ditado que "quem tem filhos tem cadilhos". Pode ser aborrecido, mas regras têm de ser cumpridas. 

Ainda há mais. Ninguém aprende se estiver com fome, tenha 8, 9, 10 ou 50 anos. A fome tolda os pensamentos, impede a concentração. E nesta parte, a culpa é de quem nos governa, que não garante o mínimo que é exigido. Nenhuma criança pode ir para a escola e sentir fome e se vai, não se lhe pode exigir que aprenda a ler ou que aprenda a fazer contas. 

Mas quem nos governa tem ainda mais culpas no cartório. Da mesma forma que ninguém aprende com fome, também ninguém aprende com frio. A temperatura dentro de algumas salas de aula chega a rondar os 6ºC e em alguns casos, menos do que isso. Basta passar perto de uma escola, num destes dias de frio, para ver que há um grande número de alunos enrolados em xailes e mantas. Também ninguém aprende assim. 

 

Por tudo isto, e por mais algumas coisas, e apesar dos números serem vergonhosos, não me parece que se possa estranhar estes resultados, nem me parece que se possa atribuir culpas partidárias pelo fracasso do desempenho dos meninos do 4º ano. A culpa já é velha. É preciso mudar muita coisa. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

....analisavam-se estes resultados e tiravam-se conclusões lógicas. Partia-se para a ação, começado do principio. 

 

 

 

 

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