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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

11
Dez17

Atenção: Não podemos ser o parque de diversões da Europa

Eu

Um dia depois de termos sido eleitos o melhor destino turístico do mundo e de Lisboa ter ganho o prémio de melhor cidade para passar um fim de semana, a euforia não pode dar lugar à loucura. Há uma coisa que é preciso ter em mente, sempre: Não somos, nem devemos, nem queremos ser o parque de diversões da Europa e muito menos do mundo. 

O turismo está em alta, os turistas chegam em massa mas as cidades devem (têm) de continuar a ser aquilo que sempre foram e que as tornou especiais. Não podemos deixar que se transformem e que percam a identidade. 

Em Lisboa os hóteis e os hostels crescem como cogumelos em dias de chuva. O Bairro Alto, está transformado em zona de copos e copofonias, onde aparentemente tudo se pode (e é assim que é vendido aos turistas). A Sé está a abarrotar de gente o Castelo também. O comércio tradicional, aquele que era alfacinha de gema, tende a desaparecer e no seu lugar aparecem lojas de souvenirs e afins. 

 

No Porto passa-se o mesmo. Hóteis e casas e quartos para alugar são aos montes. As recuperações de edifícios para o turismo proliferam. A Ribeira quase não tem onde se pôr o pé. Os bairros tradicionais estão a desaparecer, para darem lugar a casas de alojamento local. Multiplicam-se aqui e ali as lojas com ofertas para o turista. O próprio rio Douro já tem alturas em que faz lembrar uma estrada em hora de ponta, tal não é a quantidade de barcos que se passeia por ali.

 

Em Albufeira, mas também um pouco por todo o Algarve, o cenário é pior. Quase tudo está feito para o turista e para o turismo. Em algumas ruas encontrar anúncios escritos em português já é quase como encontrar uma agulha num palheiro. O fish and ships já entrou na ementa dos restaurantes. Os pequenos almoços já são de ovos estrelados, salsichas e bacon. Os empregados das lojas falam inglês antes de falarem português. 

 

Se o turismo é bom e se os turistas são bem vindos, mudar o país já não é tão boa ideia. 

A culpa disto não é de quem chega, é de quem está.

Nós é que temos de perceber que não podemos ser o parque de diversões da Europa. Nós é que temos de assumir as caracteristicas do país que o tornam especial e tirar partido disso, sem querer mudar, sem querer agradar a todo o custo.

 

Se Eu Mandasse Nisto...

... Tiravamos partido do melhor que temos e vendíamos isso aos turistas. Sem alterar, sem adaptar, sem querer ser o que não se é. 

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