Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

04
Dez17

Banco alimentar, já dei o que tinha a dar.

Eu

Dizem as notícias que os portugueses contribuiram, nestes 3 dias de peditório, com mais de 1.600 toneladas de alimentos para o  Banco Alimentar Contra a Fome. 

Não me admira. Temos mostrado, sempre que somos chamados a isso, que somos um povo solidário, que defende causas, que ajuda quado é preciso, daí que as muitas toneladas de alimentos que foram dadas não me causem espanto. Mas, se para outras causas contribuo e gosto de contribuir, para esta fechei a torneira. Simplesmente, não dou. 

E não dou porquê? 

Porque fui percebendo ao longo dos anos, e em diferentes locais onde trabalhei, que o Banco Alimentar é uma instituição demasiado grande, que não tem capacidade para fazer a distinção entre quem realmente precisa e quem não precisa mas vive à boleia da generosidade. E contribuir para o parasitismo, não obrigado. 

Não sou a favor do dar por dar. Do dar sem pedir nada em troca.

Um número considerável de pessoas que recebe ajuda do Banco Alimentar podia fazer alguma coisa, podia quanto mais não fosse, ter a obrigação de varrer a sua rua, de apanhar o lixo, de contribuir para que, pelo menos à sua volta, as ruas tivessem outro aspeto. Mas não, não é isso que faz. Dá-se porque sim. Dá-se sem pedir nada em troca. Dá-se como se dar fosse uma obrigação da sociedade. E não é.

As pessoas têm de ser ensinadas que há direitos e há deveres. Que nada cai do céu. E que quem dá, sai da cama todos os dias para trabalhar. 

Logicamente que haverá gente que precisa, que não pode fazer ou que não pode fazer mais, que agradece. Mas parece-me que esses serão a minoria. A maioria podia, mas não quer. 

Basta passar por perto dos locais de distribuição. Chegam de carro, às vezes de gama alta. Usam telemóveis de ultima geração. E reclamam porque o arroz não é agulha, a massa não é da Nacional, o leite é "marca branca". Quem precisa, agradece! Quem precisa sorri para a dádiva e não reclama. Quem precisa, precisa. 

Darei e contribuirei sempre, para quem realmente precisa. Para aqueles que conheço, que sei o esforço que fazem, que sei como vivem, mas só para esses. Os outros, que se levantem da cama e façam alguma coisa. Que deixem de estar sentados à porta dos prédios ou das casas (mesmo que sejam barracas) a apanhar sol. Que se façam à vida. 

(E nem vou falar do grande negócio que este tipo de iniciativa é para as superfícies comerciais, porque isso dava assunto para mais outras tantas linhas.)

 

Se Eu Mandasse Nisto...

... Dava-se,mas pedia-se em troca e ainda assim, fazia-se uma triagem eficaz para apurar necessidades. 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D