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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

14
Nov17

Entre um Panteão com jantares e um cemitério decrépito, sepultem-me no primeiro.

Eu

Continua e parece que está para durar, a saga das notícias a propósito do jantar no Panteão.

Hoje a novidade é que, depois de vasculhar um bocadinho, alguém descobriu que o nosso primeiro Ministro, que agora se mostrou indignado pela ousadia de fazer um jantar em tal sitio, ele mesmo, há uns anos, também lá organizou, autorizou ou mandou organizar um jantar. 

 

Confesso que já li, já pensei, e até já meditei sobre o assunto, mas não consigo ver o tão grande problema, que parece que toda a gente vê, no facto de ter havido um jantar no Panteão. 

Primeiro, não me parece que um jantar, uma festa ou uma comemoração sejam uma tão grande forma de desrespeito para com o local ou para com os mortos que por lá estão sepultados. Não vi imagens de ninguém a pular por cima dos túmulos nem a tirar selfies ao lado deles, e mesmo que o tivessem feito, não é nada que a maioria dos turistas não faça no túmulo do Oscar Wild, do Jim Morrison ou da Edith Piaf quando visita o cemitério Père Lachaise, em Paris. Qual é o problema? 

Segundo, não creio que algum dos mortos se tenha importado ou se tenha sentido melindrado. E mesmo no caso daqueles que ainda têm familiares vivos, não me consigo perceber onde é que a realização do tal jantar, possa ter ofendido a memória dos defuntos. 

Terceiro, se quem foi ao jantar não se sentiu incomodado, nem tinha que se sentir, porque é que há-de andar o mundo às voltas por causa do jantar. Até parece que não há nada mais importante para tratar neste país. 

Quarto, não creio que o Panteão seja o único monumento a ser utilzado para a realização de eventos. Não é! Então, continuo sem perceber o problema. 

 

Parece-me uma caça às bruxas. Vamos lá inventar um problema onde não o há e vamos lá arranjar assunto de conversa para mais uns dias.

 

Pois cá para mim, é assim, quando morrer quero que fique já o registo:  Mil vezes fazerem a minha sepultra num local onde há festas e jantares do que estar num daqueles cemitérios de aldeia, deixados ao abandono, onde só passa alguém nos dias de finados.

 

Se Eu Mandasse Nisto...

..... as pessoas preocupavam-se com o que realmente importa, com os vivos. 

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