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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

11
Mar18

Memórias das cheias.

Eu

Será que, depois da seca, vamos ter cheias?

Já diz o ditado que "não há fome que não dê em fartura". Assim estamos com a chuva. 

Ontem ao fim do dia, as populações das aldeias ribeirinhas já faziam contas à vida. Os rios já vão cheios e a água ameaça transbordar a qualquer momento. Em alguns locais já havia estradas cortadas. 

Pode ser chato e muito aborrecido para quem vive nestas zonas, mas tenho algumas boas memórias dos dias em que o Tejo galgava as margens e entrava pelas aldeias. 

Lembro-me de, criança pequena,  ouvir as sirenes dos bombeiros (acho que eram os bombeiros) a dar a  indicação de que a água ia subir.

Lembro-me das conversas dos adultos, na rua, a darem contas das horas a que barragem abriria novamente as comportas e haveria nova descarga.

Lembro-me de ir de mão dada com a minha avó, ver se a água estava a subir ou a descer, e de, espetar o pequeno pau no chão, ali onde a água estava a chegar, para servir de indicador da evolução da cheia. Passado algum tempo, voltávamos para ver. Se a água já o tivesse ultrapassado, eu achava piada, mas lembro-me que a minha avó nem por isso. Às vezes, quando a subida era mais do que o previsto, era preciso regressar a correr para tratar de mudar os animais de instalações ou colocar alguns pertences em zonas mais altas. Se a água tivesse "andado para trás" respirava-se momentaneamente de alívio. Talvez não fosse, ainda, este ano.

E lembro-me de não podermos regressar a casa, porque não se passava ao "dique dos 20" na Golegã e do sabor bom que tinham esses dias a mais em casa da avó. 

E lembro-me de, depois no regresso a casa, vir o tempo todo de olhos postos nas casas e nas árvores, para tentar perceber onde é que a água tinha chegado desta vez. 

E lembro-me da quantidade imensa de troncos de eucalipto, que à conta da subida da água fugiam da fábrica de celulose, e que ficavam espalhados pelos campos. 

E lembro-me estas imagens e destas histórias com alguma saudade. E confesso, de uma forma egoísta, que não em importava de ir novamente, com os meus filhos, espetar o pau no chão, para ver se água estava a subir ou a descer. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

....as memórias nunca se apagavam. Porque valem tanto e são tão boas. 

 

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