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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

03
Abr19

Beijinhos do Ronaldo

Eu

Que o Ronaldo ande nas bocas do mundo, já estamos habituados, mas desta vez o motivo é bem diferente do habitual. Não foi porque marcou ou não marcou, não foi porque ganhou ou deixou de ganhar, nem foi porque foi acusado ou deixou de ser. O motivo foram os beijinhos que deu à filha.

O homem, que é pessoa (embora muitos achem que não) é também companheiro e é pai. E como pai que é, faz coisas que a maioria dos pais fazem. 

Ronaldo publicou um vídeo onde surge a dar beijinhos na boca da filha. E é aqui, que surge o problema. É que os beijinhos podiam ser dados em qualquer lado, mas na boca a coisa pia mais fina. 

Levantaram-se logo mil vozes, entre pediatras e especialistas de sofá, a condenar tal atitude. Uns, porque não deve, seguramente, conhecer os riscos que está a fazer a criança correr. Outros, porque os beijos na boca têm sempre um cariz sexual e está mal, muito mal, dar beijinhos na boca da filha. Outros, ainda, porque proximidade a mais não é saudável e um abraço apertado chega e sobra para aquecer o coração da pequenita. 

A única coisa que me ocorre dizer é "está tudo doido"?

Primeiro, os pais dão beijinhos porque sim e a maldade da coisa só está na cabeça de quem a pensa. Não tarda chegaremos ao limite em que os pais não podem trocar a fralda das filhas não vá alguém achar que tocar aqui ou ali pode ser entendido como outra coisa qualquer.

Segundo, mimos, colo e beijinhos nunca são demais, tenham os filhos um, dois ou vinte anos. Não chega um abraço se o que as crianças queriam era um beijinho. Não chega um beijinho quando o que as crianças queriam era colo. 

Terceiro, que os beijos e os beijinhos podem transmitir doenças, é do conhecimento público, mas não me parece que o Ronaldo estivesse com um ataque de herpes, muito menos com uma gastroenterite. Também não lhe vi ranho a pingar do nariz, não lhe ouvi tosse nem o vi a espirrar. Constipado também não devia estar. Além disso, acredito que se estivesse com alguma doença, estaria quieto e não se andaria a filmar aos beijinhos à filha. 

Mas, olhemos para os pais que são apenas pais e não andam nas bocas do mundo. Quantas vezes deixam os filhos dar uma lambidela no gelado? Quantas vezes os deixam lamber a colher do café? Quantas vezes partilham o bocadinho do chocolate? Quantas vezes lhes dão um bocadinho da sobremesa do almoço e fazem-no com a própria colher? Quantas vezes levam a colher deles à boca para ver se a sopa está quente? Ninguém se preocupou com doenças nem com outras coisas que tais, pois não? Porque os pais sabem, melhor que ninguém, o que é que podem fazer. E fazem o que lhes apetece. E é muito melhor assim. 

Se não complicarmos o que é simples, venha do Ronaldo ou de outra pessoa qualquer o mundo faz o que dia o outro: "Pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança". 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

... Deixávamo-nos de andar à procura do papão. As coisas são simples se as fizermos simples. 

 

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