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Se eu mandasse nisto

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se o mundo anda ao contrário, se as pessoas andam com as ideias trocadas, se as prioridades andam invertidas, se os deuses andam loucos, haja alguém para mandar nisto, por favor.

Se eu mandasse nisto

29
Mar19

Obrigados a pedalar

Eu

Chegamos a isto. 

Aprender a pedalar vai passar a fazer parte dos currículos escolares a partir do primeiro ciclo. As crianças irão aprender inicialmente em contexto protegido e mais tarde passarão a andar na via pública.

A ideia não é má, muito pelo contrário. O que é mau é termos chegado a isto e ninguém se ter dado ao trabalho de pensar nos porquês.

Porque é que uma coisa que até há uns anos fazia parte da infância, naturalmente, agora tem de ser uma coisa obrigatória, caso contrário as crianças não a fazem? 

Porque é que temos, cada vez mais, miúdos parados?

Já alguém olhou, com olhos de ver, para os horários de trabalho da maioria dos pais? Já alguém pensou que com horários assim é impossível chegar a casa e ter tempo livre de qualidade? Já alguém reparou que é impossível às 18h ou às 19h, depois de um dia de trabalho e de muito tempo no trânsito, pegar nos miúdos (que estiveram em escolas e ATL um número de horas absurdo), pegar nas bicicletas e ir para a rua? Já fizeram contas e já concluíram que o número de horas que pais e filhos estão juntos, durante uma semana é muito reduzido e que, esse pouco tempo, ainda tem de incluir fazer trabalhos de casa, tomar banho, jantar....

Pois é. Preocupam-se com as consequências, mas não se preocupam com as causas. 

E os pais, já pensaram que querem muito para os filhos, mas que também optam pelo que dá menos trabalho? Já equacionaram trocar o ipad pela conversa, trocar a playstation corrida no parque, trocar o sossego da tarde de cinema pela agitação de um jogo de futebol em família, trocar o rebuliço do centro comercial pela animação de um passeio de bicicleta?

Pois é. É mais fácil entupir os miúdos de atividades, se alguém tomar conta deles. É mais tranquilo deixar que vejam televisão e joguem nos tablets, do que sair com eles para rua. Dá menos trabalho. Chateia menos. 

O problema tem dois lados, ou três. Porque quando tem de ser o governo a obrigar a fazer coisas que deveriam ser naturais alguma coisa está errada. 

E se as mentes não mudarem, de um lado e de outro, chegará o dia em que vai ser obrigatório "esfolar os joelhos" e " sujar as mãos". Porque as crianças estão a deixar de o ser. 

 

Se Eu Mandasse Nisto....

.....percebíamos que a produtividade não depende do número de horas que se passa no escritório.

....percebíamos que as crianças tem de ter tempo e espaço para ser crianças. 

 

 

10
Mai18

Vamos ao médico de família?

Eu

Dizem as notícias de hoje que o número de crianças sem médico de família atribuído continua a aumentar e já são mais de cem mil nesta situação. 

Mas, não ter médico de família atribuído não significa que não vão ao médico ou que não têm cuidados de saúde. Significa (e suponho que sejam a maioria), apenas, que não estão inscritos num centro de saúde e não utilizam o SNS.   E será que alguém já parou para pensar nos motivos? 

Então vamos lá imaginar. Temos um filho pequeno que está doente e vamos levar o petiz levar ao médico de família....

5 da manhã. Toca o despertador para que alguém lá de casa se levante e saia, ainda na escuridão da noite, para ir para a fila do centro de saúde. (Isto em alguns centros de saúde do país, porque noutros, para garantir lugar no Top 10, é preciso ir mais cedo e não há mais do que 10 vagas por dia). 

Depois do acordar matutino é preciso esperar até às 9h para que cheguem as funcionárias do centro de saúde e façam a inscrição. Sim, porque o Sr Doutor, virá apenas lá pelas 10h ou 11h, e isto se não houver um contratempo e não telefonar, à ultima hora, a avisar que afinal não vem. Uns aproveitam para pôr a conversa em dia, outros sentam-se no carro estrategicamente estacionado, de forma a conseguirem ver como evolui a fila de espera, outros sentam-se no chão, encostam-se à parede e "passam pelas brasas". 

9 horas (talvez um pouco mais). Feita a inscrição há tempo para ir a casa levantar os filhos, dar-lhes de comer e rumar, novamente, ao centro de saúde. 

Depois espera-se e desespera-se, em salas cheias de gente, que chegue, finalmente, a hora da consulta. Pelo meio reza-se uma Avé Maria para que não apareça um delegado de informação médica, porque se aparecer está garantida mais meia hora de espera. 

Vamos à consulta e, se o mal for menor, tudo bem. Vai o antibiótico da praxe, de largo espetro para dar para tudo, e pouco mais. Se a coisa é um bocadinho mais complicada, não é caso para o centro de saúde e para o médico de família. Neste caso, toma lá o envelope fechado e vai até ao serviço pediátrico do hospital mais próximo.  

Chegados ao hospital é hora de fazer nova admissão, esperar pela triagem e sair de lá com uma pulseira colorida no braço e voltar a esperar que chegue, novamente, a hora da consulta. 

No meio disto tudo, perderam-se horas de sono, perderam-se horas de vida e ainda a criança não foi consultada. E já está com fome e ainda não almoçou, e já está na hora da sesta e não consegue dormir, e já foi preciso trocar a fralda ou ir a uma daquelas casas de banho super limpas.....e já estamos a perder a paciência. 

Moral da história....

Faz um seguro de saúde e vai ao hospital privado ou ao médico privado. Gasta-se mais, mas tempo é dinheiro. 

Daí que haja, tanta criança, sem médico de família. É tudo uma questão de paciência. De funcionamento. De tempo. 

 

Se Eu Mandasse Nisto...

....punham-se os olhos nos números, analisavam-se os porquês e concluia-se, de forma eficaz, que o nosso dinheiro anda a ser mal gasto e mal gerido. (Já dizia o povo.... paz, pão, habitação, saúde, educação)

 

 

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